one of many

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23 Junho 2017, 00:38

Estou sozinha em casa e em silencio.  A solidão assusta-me. Faz-me pensar. Demasiado até. 
Não penso nas inseguranças que me causa. Penso nos abraços que podia ter dado, nas palavras que podia ter dito mas que ficaram presas na ponta da língua, nos beijos que me confortam e que me tornam carente. Estou bem. Mas no fundo não estou. 
A necessidade de sentir o toque, o cheiro, o calor, o arrepio interior de felicidade torna-se maior. 
A minha sensibilidade está a palpitar como se quase me obrigasse a deitar uma lágrima. Quase que me força a ficar triste, estando eu contente. Não tenho intenção de me distrair pois o meu pensamento vai sempre levar-me ao mesmo tema por mais scroll que eu faça em redes sociais. 
Infelizmente nem tudo é possível. 
Não é possível sentir o perfume que envolve o teu pescoço e que me aquece os pulmões. 
Não é possível sentir as tuas mãos suaves a percorrer a minha pele. 
Não é possível sentir o teu calor que faz a temperatura do meu corpo subir automaticamente. 
Não é possível sentir o teu olhar que me prende a ti e a mais ninguém. 
Não é possível sentir o teu sorriso e ouvir a tua gargalhada que me desperta a alegria por vezes adormecida. 
Não é possível sentir os teus lábios nos meus, a mistura do sabor a tabaco com a carência do teu beijo. 
No entanto, é possível imaginar-te aqui. Deitado ao meu lado, em contacto com a minha parede pálida, depois me puxares contra o teu peito enquanto o teu braço começa a adormecer. As minhas pernas entrelaçam-se nas tuas. O meu braço pousa no teu peito e a minha mão descansa no teu coração. A minha respiração coordena-se com a tua. Tu fechas os olhos, eu olho para ti e fecho os meus. Adormecemos. 
Mas estou sozinha e tu não vens aqui. Mas de que me queixo? Ainda hoje te vi. 

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